Baldy diz que prisão é exagerada e defesa pedirá revogação

Secretário de Transportes de SP foi preso na Operação Dardanários

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O secretário de Transportes do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, um dos presos durante a Operação Dardanários, da Polícia Federal (PF), hoje (6) na capital paulista, disse por meio de sua assessoria de comunicação que foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por supostos fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais sequer participou. A defesa disse que a medida é descabida e as providências para sua revogação serão tomadas.

"O secretário tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão. Sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais foi questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação", diz a nota.

O governador de São Paulo, João Doria, disse por meio de nota que os fatos que levaram as acusações contra Alexandre Baldy não têm relação com a atual gestão no governo de São Paulo, motivo pelo qual não há nenhuma implicação na sua atuação na Secretaria de Transportes Metropolitanos. "Na condição de governador de São Paulo, tenho convicção de que Baldy saberá esclarecer os acontecimentos e colaborar com a Justiça", afirmou Doria.

Durante a operação foram cumpridos seis mandados de prisão e 11 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. Os alvos foram empresários e agentes públicos suspeitos de fazer contratações irregulares para serviços públicos, especialmente na área da saúde. Até as 7h de hoje, três pessoas já tinham sido presas, de acordo com a PF.

Os mandados da Operação Dardanários estão sendo cumpridos nas cidades de Petrópolis (RJ), Goiânia, Brasília, São Paulo e São José do Rio Preto (SP). A investigação é um desdobramento das operações Fatura Exposta, Calicute e SOS, que tiveram o ex-governador Sérgio Cabral e gestores de seu governo (2007 a 2014) como investigados. A PF informou que também foram encontrados R$ 110 mil na residência de um alvo em Goiânia, mas não disse de quem era a casa.

Os investigados responderão pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e após procedimentos de praxe, serão encaminhados ao sistema prisional e ficarão à disposição da Justiça. Os mandados judiciais, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, estão sendo cumpridos pela Delegacia de Repressão a Corrupção e Combate a Crimes Financeiros, com apoio do Ministério Público Federal (MPF).

Desdobramento

De acordo com o MPF, a Operac?a?o Dardanarios e desdobramento das operac?o?es Fatura Exposta e SOS, que apuram desvios de recursos do estado do Rio de Janeiro repassados para Organizac?a?o Social (OS) Pro-Saude que administrou diversos hospitais no Rio e em outros locais do pais.

O MPF informou ainda que a partir da colaborac?a?o premiada de ex-diretores da OS, foi possível concluir como era feito o pagamento de vantagens indevidas para agentes que pudessem interceder em favor dela nos recebimentos do contrato de gesta?o do Hospital de Urge?ncia da Regia?o Sudoeste (HURSO), em Goia?nia, administrado pela Pro-Saude entre 2010 e 2017.

Conforme as investigações, para conseguir o pagamento de valores na?o contabilizados, os gestores da OS a? epoca criaram o esquema de geração de caixa 2 na sede da Pro-Saude. Os recursos eram obtidos com o superfaturamento de contratos, custeados, em grande parte, pelos repasses feitos pelo estado do Rio de Janeiro, que correspondiam a cerca de 50% do faturamento nacional da OS, que saltou de aproximadamente R$ 750 milho?es em 2013, para R$ 1 bilha?o em 2014 e alcançando R$ 1,5 bilha?o em 2015.

Ainda nas apurações, os investigadores notaram que, com o sucesso do esquema, os agentes continuaram a intermediar os interesses dos ex-diretores da Pro-Saude para obter contratos da empresa recem-criada com outros orga?os da administrac?a?o publica, em troca de pagamento de um percentual para vantagens indevidas. Foi identificada a existe?ncia de um esquema de direcionamento de contratos da Junta Comercial do Estado de Goias (Juceg) e da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Os empresarios colaboradores narraram que conseguiram a contratac?a?o de servic?os da em raza?o do comando ou da influe?ncia que os investigados exerciam nos orga?os. Em troca, pagaram altas quantias de dinheiro em especie ou ate mesmo por meio de depositos bancarios.

"A Receita Federal e a UIF [antigo Coaf] apontaram operac?o?es suspeitas que indicam a possibilidade de utilizac?a?o do nucleo familiar de investigados para ocultar os valores oriundos dos crimes de corrupc?a?o, peculato e organizac?a?o criminosa. Foram ainda identificadas inconsiste?ncias nas informac?o?es fiscais dos investigados", informou o MPF.

A 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, atendeu o pedido do MPF de bloqueio de bens em valores que ultrapassam R$ 12 milho?es, além dos mandados de prisão e de busca e apreensão.

A Pro-Saude começou a administrar hospitais no estado do Rio de Janeiro no final de 2012 e inicio de 2013, epoca em que seus gestores aderiram a? organizac?a?o criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral, conforme foi denunciado na Operac?a?o SOS. Para o MPF, o esquema era com os empresarios Miguel Iskin e Gustavo Estellita, e o enta?o, secretario de saude Sérgio Côrtes. A propina, equivalente a 10% dos contratos da OS com os seus fornecedores, era entregue aos empresarios, que controlavam todo o esquema.

Entre os agentes beneficiados com os desvios do dinheiro publico repassado a? OS Pro-Saude, estão alguns dos investigados da Operac?a?o Dardanarios, deflagrada nesta quinta-feira.