Saiba em quais lugares o contágio pelo novo coronavírus pode ser maior

Estudo mostra que interação direta aumenta risco de contrair covid-19

REUTERS / Ricardo Moraes

REUTERS / Ricardo Moraes

Um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tornou mais f√°cil identificar lugares onde, segundo pesquisadores, a chance de ser infectado pelo vírus SARS-Cov-2, respons√°vel pela pandemia de covid-19, é maior. Os resultados parecem comprovar o que j√° é protocolo sanit√°rio em todo o Brasil: a resid√™ncia é o lugar mais seguro para as pessoas neste momento.

A equipe de virologistas respons√°veis pelo levantamento coletou amostras de lugares públicos de alta circula√ß√£o na cidade de Belo Horizonte. O método utilizado foi parecido com os testes realizados para detectar a presen√ßa do vírus no organismo: o swab - um tipo de cotonete alongado que, quando friccionado contra superfícies, coleta o material em repouso - foi usado em pontos de ônibus, corrim√£os, entradas de hospitais e até mesmo bancos de pra√ßas. Das 101 amostra colhidas, 17 continham tra√ßos do novo coronavírus.

Infográfico mostra a escala de perigo de contaminação por covid-19.

Para Matheus Westin, infectologista e professor de medicina da UFMG, a organiza√ß√£o dos lugares em categorias de risco faz sentido, apesar de n√£o ter nenhuma participa√ß√£o no estudo. Ele explica que h√° 3 critérios b√°sicos para avalia√ß√£o de risco de locais públicos. "Para se avaliar o risco de um determinado local, levamos em considera√ß√£o tr√™s elementos: o número de pessoas que podem portar a infec√ß√£o, o nível de aglomera√ß√£o esperado nos ambientes e a chance de haver pessoas com a infec√ß√£o no local."

O médico lembra, ainda, que objetos também podem ter partículas infecciosas inertes. Frutas, verduras, caixas e outros itens que ficam expostos podem carregar o vetor de infec√ß√£o. O estudo classificou as √°reas de risco de acordo com os tr√™s pilares sanit√°rios identificados pelos médicos.

Linha de frente

O estudo mostrou também que profissionais que trabalham na linha de frente de combate ao novo coronavírus est√£o muito mais suscetíveis ao cont√°gio, j√° que a proximidade com infectados é inevit√°vel.

"Todas as formas de assist√™ncia direta envolvem proximidade. Desde os cuidados prim√°rios, como administrar medica√ß√£o ou conversar com o paciente, aos procedimentos invasivos, como ajustar o ventilador mec√Ęnico, aspirar as vias aéreas ou entubar o paciente, tudo isso cria um grande risco de transmiss√£o", argumenta Westin.

Segundo o médico e professor, o investimento em equipamentos de prote√ß√£o individual (EPIs) de qualidade é crucial, e pode definir se o profissional médico ser√° contaminado ou n√£o ao tratar pacientes. "Boa parte desse equipamento é de uso único. A troca deve ser periódica. Mas n√£o d√° pra esquecer que o profissional de saúde, ao chegar em casa, deve lavar bem com √°gua e sab√£o as vestimentas hospitalares para remover tra√ßos de contamina√ß√£o das roupas", informou.

O site da UFMG afirma que o estudo n√£o pode ser considerado científico, mas que as evid√™ncias corroboram a escala de perigo de infec√ß√£o.